Author: Betânia Uchôa
•04:27:00

Humildade...

Senhor, fazei com que eu aceite
minha pobreza tal como sempre foi.

Que não sinta o que não tenho.
Não lamente o que podia ter
e se perdeu por caminhos errados
e nunca mais voltou.

Dai, Senhor, que minha humildade
seja como a chuva desejada
caindo mansa,
longa noite escura
numa terra sedenta
e num telhado velho.

Que eu possa agradecer a Vós,
minha cama estreita,
minhas coisinhas pobres,
minha casa de chão,
pedras e tábuas remontadas.

E ter sempre um feixe de lenha
debaixo do meu fogão de taipa,
e acender, eu mesma,
o fogo alegre da minha casa
na manhã de um novo dia
que começa.

Cora Coralina

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Author: Betânia Uchôa
•04:25:00


Se as minhas mãos pudessem desfolhar

Eu pronuncio teu nome nas noites escuras,
quando vêm os astros beber na lua
e dormem nas ramagens das frondes ocultas.
E eu me sinto oco de paixão e de música.
Louco relógio que canta mortas horas antigas.

Eu pronuncio teu nome, nesta noite escura,
e teu nome me soa mais distante que nunca.
Mais distante que todas as estrelas
e mais dolente que a mansa chuva.

Amar-te-ei como então alguma vez?
Que culpa tem meu coração?
Se a névoa se esfuma, que outra paixão me espera?
Será tranqüila e pura?
Se meus dedos pudessem desfolhar a lua!!!

Garcia Lorca
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